Atendimento na Clínica da Família
Assunto: Reclamação formal sobre conduta e atendimento prestado pelo responsável pela Ouvidoria
Venho, por meio deste canal, registrar uma reclamação formal a respeito da conduta e do atendimento que recebi na Ouvidoria da unidade de saúde, ocorrido no dia 22 de setembro de 2026, durante uma tentativa de solicitar a troca do profissional responsável pelo acompanhamento psiquiátrico do meu namorado.
Compareci à unidade com o objetivo de buscar orientação e registrar uma solicitação relacionada ao acompanhamento médico dele. Inicialmente, fui informada no atendimento da unidade de que a solicitação deveria ser realizada por meio da Ouvidoria. Dirigi-me, então, ao setor responsável para relatar a situação e solicitar formalmente a troca do médico.
Ao chegar à Ouvidoria, expliquei detalhadamente o ocorrido ao funcionário que estava realizando o atendimento. Enquanto eu relatava a situação, o Sr. Marcelo, que posteriormente identifiquei como responsável pelo setor, aproximou-se e passou a questionar o motivo pelo qual eu estava ali. Expliquei novamente toda a situação, inclusive os motivos pelos quais considerava necessária a troca do profissional.
Durante esse atendimento, entretanto, senti-me desrespeitada, constrangida e tratada de maneira inadequada.
Em determinado momento, ao mencionar o nome do médico que havia realizado o atendimento, o Sr. Marcelo afirmou, em tom de incredulidade, que “o Fernando não faz isso”. Quando reafirmei que aquela havia sido, de fato, a conduta adotada pelo profissional, ele questionou se eu tinha certeza de que se tratava do médico mencionado. Mesmo após eu confirmar, ele solicitou que outro funcionário verificasse o nome do profissional, como se minha informação não fosse digna de credibilidade.
O episódio que considero ainda mais grave ocorreu quando expliquei que faço faculdade de Medicina e que, por esse motivo, possuo algum conhecimento sobre medicamentos e tratamentos. O Sr. Marcelo perguntou qual era o CID (Classificação Internacional de Doenças) do meu namorado. Informei que não sabia o código de memória, o que considero absolutamente razoável, uma vez que não sou obrigada a saber o CID do meu namorado de cabeça, independentemente de cursar Medicina.
Nesse momento, o Sr. Marcelo respondeu, em tom de deboche e ironia, algo no sentido de: “Ué, não sabe o CID dele? Nossa, e olha que faz faculdade de medicina, né?”, e, em seguida, virou as costas e saiu.
Considero essa postura incompatível com o atendimento que se espera de um profissional que atua em uma Ouvidoria de uma unidade de saúde, especialmente de alguém que ocupa posição de responsabilidade dentro do próprio setor. A Ouvidoria deveria ser um espaço destinado ao acolhimento das manifestações dos usuários, à escuta respeitosa e à busca de soluções ou encaminhamentos para os problemas apresentados.
Em nenhum momento solicitei tratamento diferenciado. Apenas procurei exercer meu direito de apresentar uma reclamação e buscar orientação acerca de uma situação relacionada ao atendimento de saúde de uma pessoa que necessita de acompanhamento médico.
Além disso, fiquei particularmente incomodada com a forma como a conversa foi conduzida, pois em determinados momentos os funcionários conversavam entre si sobre a situação como se eu não estivesse presente, apesar de eu ser justamente a pessoa que estava relatando o ocorrido e fornecendo as informações necessárias para a abertura da manifestação.
Também gostaria de registrar uma preocupação quanto à privacidade do atendimento na Ouvidoria. O atendimento ocorreu em uma mesa localizada de maneira exposta, sem um espaço reservado, possibilitando que outras pessoas que circulavam pela unidade tivessem contato com informações relacionadas à situação de saúde que eu estava relatando. Considerando que se tratava de uma questão envolvendo acompanhamento psiquiátrico, considero especialmente importante que exista um ambiente que preserve a privacidade e o sigilo do usuário.
Diante de todo o ocorrido, solicito que esta manifestação seja formalmente registrada e encaminhada para avaliação da instância competente, uma vez que o próprio profissional sobre quem desejo reclamar ocupa posição de chefia dentro da Ouvidoria, não sendo razoável que a apuração da conduta fique exclusivamente sob sua responsabilidade.
Solicito, ainda, que sejam avaliadas as circunstâncias do atendimento e que sejam prestados esclarecimentos acerca das providências que poderão ser adotadas diante da conduta relatada.
Meu objetivo não é criar qualquer conflito com a unidade ou com seus profissionais, mas registrar formalmente uma situação que considero desrespeitosa e incompatível com os princípios de acolhimento, respeito, dignidade e humanização que devem nortear o atendimento aos usuários do serviço público de saúde.
Aguardo o devido registro, análise e retorno acerca desta manifestação.
Atenciosamente,
Geovanna Eleoterio Alvarez
22 de setembro de 2026
Clínica da família São José
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